CARREGANDO...

Olá Visitante      Login   Cadastrar
 

Reiter, síndrome de

Faz parte de um grupo de doenças denominadas espondiloartropatias soronegativas, que exibem predisposição hereditária associada à presença do antígeno do complexo de histocompatibilidade maior (HLA-B27) e têm em comum graus variáveis de manifestações artrocutâneas e oculares. Esta síndrome inclui uma tríade clínica: artrite soronegativa, uretrite e conjuntivite. É uma condição rara, de distribuição universal. Acomete preferencialmente indivíduos adultos do sexo masculino. Caracteriza-se por poliartrite periférica soronegativa, com duração mais longa do que um mês, manifestando-se geralmente após quadro infeccioso disentérico ou urogenital. Acometimentos mucocutâneo, ungueal e ocular são comuns. Esses pacientes respondem de formas variadas a diversos agentes infecciosos, indicando que fatores imunorreguladores também sejam importantes em sua patogênese. Há duas formas epidemiológicas distintas: uma endêmica ou venérea, iniciada por uretrite inespecífica, cujo agente infeccioso mais importante é a Chlamydia trachomatis, sendo também implicados o Ureaplasma e oMycoplasma como possíveis agentes; outra epidêmica ou pós-disentérica, na qual se inclui o paciente em questão, em seguimento após uma infecção intestinal por microorganismos Gram negativos chamados artritogênicos, incluindo os gêneros Shigella, Salmonella, Yersinia, Campylobacter e Clostridium. O HLA-B27, positivo no paciente em estudo, é o maior determinante de susceptibilidade para a síndrome de Reiter, sendo encontrado em percentual que varia de 70 a 90% dos pacientes. Nenhum agente infeccioso isoladamente pode ser responsabilizado pelo desenvolvimento da doença. A doença articular caracteriza-se por acometimento poliarticular, envolvendo predominantemente as articulações dos membros inferiores e sacroilíaca, apresentando entesopatia e artrite. Os sítios mais envolvidos são o tornozelo, o pé e o joelho. Os sintomas característicos incluem dor e rigidez após períodos de repouso, com melhora após exercícios. Os episódios tendem a ser autolimitados, mas podem recorrer por anos ou décadas. Aproximadamente um quarto dos pacientes com síndrome de Reiter crônica desenvolve sacroileíte ou espondilite anquilosante. A doença mucocutânea apresenta incidência variável, com lesões presentes em proporção que varia de oito a 31% dos casos. A balanite circinada é o achado mais comum, visto em cerca de 36% dos pacientes com envolvimento cutâneo. Caracteriza-se por úlceras superficiais úmidas localizadas na mucosa do pênis, que podem coalescer, assumindo distribuição circinada. Pode haver também envolvimento da base do pênis e da bolsa escrotal. O queratoderma blenorrágico acomete mais freqüentemente as regiões palmoplantares. Embora seja uma manifestação típica da síndrome de Reiter, não é achado freqüente, sendo encontrado em apenas 15% dos pacientes. Inicia-se por máculas eritematosas evoluindo rapidamente para pápulas ou pseudovesículas que podem coalescer. A aparência final da lesão é de placa hiperceratósica, com colarete descamativo e coloração que varia do eritema ao amarelo-alaranjado. Ocasionalmente, o queratoderma blenorrágico pode evoluir com eritrodermia, sobretudo nos casos associados à infecção pelo HIV. O envolvimento ungueal e periungueal é comum e em geral grave. Caracteriza-se por espessamento da lâmina ungueal, que se encontra amarelada e frágil, podendo ocorrer onicólise franca com perda ungueal. O envolvimento ocular, que pode estar presente em aproximadamente metade dos casos, não foi observado no paciente em estudo. A conjuntivite é a manifestação mais comum, podendo também ocorrer irite, uveíte anterior e queratite. A proteína C reativa (PCR) é indicador mais sensível e específico da atividade da doença do que o VSH. Níveis de PCR são significativamente mais altos em pacientes com doença ativa, enquanto o VSH pode não ser estatisticamente diferente na doença ativa e na inativa. A positividade para o antígeno do complexo de histocompatibilidade HLA-B27 é suporte diagnóstico, estando relacionado com doença mais grave e protraída. Sumário de urina é de pouca utilidade, porém o exame direto e cultura da secreção uretral são importantes na investigação. Urocultura e coprocultura devem ser realizadas para pesquisa de microorganismos. O exame radiográfico das articulações acometidas pode, em casos de artrite crônica, detectar sinais de efusão, artrite franca, erosões, osteoporose periarticular e entesopatia. O fluido articular aspirado pode ser turvo ou amarelado, porém geralmente estéril. Não há cura para a síndrome de Reiter. Aproximadamente dois terços dos pacientes apresentam remissão do quadro em seis meses. Recorrências são freqüentes, com 40% dos pacientes apresentando um segundo episódio. Na fase aguda, repouso e antiinflamatório não hormonal podem ser úteis. Fisioterapia passiva e ativa devem ser recomendadas para evitar seqüelas, manter a mobilidade e prevenir a fibrose articular. Nos casos graves e crônicos o tratamento é difícil. Antibióticos são utilizados com o objetivo de encurtar a evolução e impedir o início da artrite reativa.

Reiter, síndrome de

Dermatologia Infectologia Reumatologia Urologia

8

Artigo(s)
Relacionados
  • Dermatologia
  • Infectologia
  • Reumatologia
  • Urologia

Deseja ler sobre outras síndromes? Selecione abaixo a letra inicial da síndrome que você busca.
A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z