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Fibromialgia, síndrome da

É uma síndrome musculoesquelética que, de acordo com os critérios diagnósticos de 1990 do American College of Rheumatology (ACR) pode ser identificada em indivíduos com dor crônica difusa com mais de três meses de duração e caracterizada por dor ao exame de pontos dolorosos específicos ao exame físico (tender points). Acomete cerca de 2,5% da população mundial, sendo considerada a segunda causa mais frequente de consultas em ambulatórios de reumatologia. A população fibromiálgica é composta, em sua maioria, por mulheres, numa proporção de 6-10:1, atingindo principalmente pacientes entre 30 e 55 anos. O diagnóstico é eminentemente clínico, não existindo alteração de exames laboratoriais ou radiológicos. Em 2010, publicaram novos critérios para o diagnóstico de FM. Avalia-se a contagem das áreas corporais dolorosas Widespread Pain Index (WPI) que pode variar de 0 a 19, e a gravidade dos sintomas fadiga, sono não reparador, aspectos cognitivos e adicionados à intensidade/quantidade dos sintomas somáticos Symptom Severity (SS), Scale Score (SS), que resulta num escore de 0 a 12. Segundo esses critérios, para ser classificado como portador de FM, o paciente deve apresentar WPI ≥ 7 e SS scale score ≥ 5 ou WPI de 3 a 6 com SS scale score ≥9. Dentre os possíveis sintomas físicos e mentais, o paciente pode apresentar fadiga generalizada, distúrbios do sono, rigidez matinal, sensação de dispneia, ansiedade, depressão e alteração da função cognitiva. O tratamento preconiza o controle do quadro álgico por meio de estratégias globais de abordagem interdisciplinar, com intervenções nos âmbitos físico, farmacológico, cognitivo-comportamental e educacional. Apesar de extensa pesquisa, nenhuma modalidade de tratamento é eficaz para todos os pacientes portadores de fibromialgia. Vários medicamentos foram aprovados e tratamentos não farmacológicos têm demonstrado efeitos promissores. Os pacientes com fibromialgia devem ser orientados a realizarem exercícios musculoesqueléticos. Programas individualizados de alongamento ou de fortalecimento muscular são benéficos para alguns pacientes com fibromialgia. O exercício físico é um fator importante para melhoria da qualidade de vida do paciente, mas deve ser planejado para não se tornar extenuante. Evidências científicas revelam que exercícios cinesioterapêuticos minimizam a dor, a fadiga e a tensão muscular, melhorando níveis de estresse, ansiedade e depressão nos indivíduos portadores de fibromialgia, quando executados de maneira regular e monitorada. Estudos recentes mostraram que a acupuntura mostrou ser eficaz na redução imediata da dor em pacientes portadores de fibromialgia. A terapia cognitivo-comportamental é benéfica para alguns pacientes com fibromialgia. O suporte psicoterápico também pode ser utilizado no tratamento da fibromialgia, dependendo das necessidades de cada paciente. Na ausência de uma única medicação ouro-padrão, os pacientes são tratados com uma variedade de medicamentos a partir de diferentes categorias, muitas vezes com evidência limitada. Pregabalina, a duloxetina, milnaciprano e amitriptilina são os atuais agentes prescritos de primeira linha. Dentre os compostos tricíclicos, a amitriptilina, e entre os relaxantes musculares, a ciclobenzaprina reduzem a dor e frequentemente melhoram a capacidade funcional estando, portanto, recomendadas para o tratamento da fibromialgia. Entre os inibidores seletivos de recaptação da serotonina, houve consenso de que a fluoxetina em altas doses (acima de 40 mg) também reduz a dor e frequentemente melhora a capacidade funcional sendo também recomendada para o tratamento da fibromialgia. O uso de inibidores da recaptação da serotonina, como a fluoxetina, em combinação com tricíclicos também está recomendado no tratamento da fibromialgia. O medicamento antiparkinsoniano pramipexol também foi recomendado para o tratamento da fibromialgia para reduzir a dor sendo especialmente indicado na presença de distúrbios do sono como a síndrome das pernas inquietas. Analgésicos simples e os opiáceos leves também podem ser considerados para o tratamento da fibromialgia, ao contrário dos opiáceos potentes que não foram recomendados. O tramadol foi recomendado para o tratamento da dor na fibromialgia. Sua associação ao paracetamol foi considerada efetiva no tratamento da fibromialgia. Dentre os neuromoduladores, a gabapentina e a pregabalina foram recomendadas. Esta última foi considerada eficaz em reduzir a dor dos pacientes com fibromialgia. Por outro lado, o topiramato, não foi recomendado. A zopiclona e o zolpidem foram recomendados para o tratamento dos distúrbios do sono da fibromialgia. Não foram recomendados para uso na fibromialgia o clonazepam, a tinazidina e o alprazolam. A eletrotermofototerapia é muito utilizada na prática clínica da fisioterapia como parte do programa global de reabilitação para a redução dos sintomas da FM. Um recente estudo mostrou que a estimulação elétrica transcraniana por corrente contínua foi eficaz no controle terapêutico da dor e promoveu melhora na qualidade de vida dos pacientes fibromiálgicos.

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