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Marfan, síndrome de

É uma condição autossômica dominante com prevalência estimada de 1 em 10.000 a 20.000 indivíduos. É uma doença do tecido conjuntivo cujas principais manifestações fenotípicas envolvem os sistemas esquelético, cardiovascular e ocular.

A síndrome de Marfan é denominada como fibrilinopatia, juntamente com outras desordens do tecido conectivo, com sutis diferenças nas manifestações clínicas. Baseados em estudos bioquímicos e genéticos, hoje se considera o gene FBN-1 (fibrilina-1)como o responsável pela síndrome de Marfan. O gene FBN-1 foi localizado no cromossomo 15q21 e é composto de 65 exons.

A fibrilina, proteína da matriz extracelular do tecido conjuntivo, é um componente da malha microfibrilar que se apresenta amplamente distribuído por todo o corpo.

Na síndrome de Marfan, a fibrilina é estrutural e funcionalmente anormal dependendo do tipo de mutação.O diagnóstico da síndrome de Marfan é feito de acordo com uma revisão dos critérios diagnósticos conhecida como a nosologia Ghent, por meio de uma avaliação abrangente, em grande parte baseada em uma combinação de pequenas e grandes manifestações clínicas em vários sistemas de órgãos e na história familiar.

As principais manifestações esqueléticas são: deformidades do tórax e da coluna, dolicostenomelia, aracnodactilia e estatura elevada. As principais manifestações oculares são: subluxação do cristalino, miopia e descolamento de retina. As principais manifestações cardíacas são: prolapso de válvula mitral, dilatação da aorta e aneurisma dissecante de aorta.

Podem ocorrer também manifestações no sistema nervoso central, como ectasia dural, meningocele lombar e sacral, cisterna magna dilatada, distúrbio de aprendizado e hiperatividade. Dentre os sinais clínicos da síndrome de Marfan alguns são considerados sinais maiores por apresentarem maior freqüência e especificidade, são eles: subluxação do cristalino, dilatação da aorta ascendente, dissecção da aorta e ectasia dural.

A complicação mais temida é a dissecção aórtica. Os pacientes com síndrome de Marfan estão predispostos a essa complicação devido à degeneração cística da camada médica da aorta, e essas dissecções normalmente começam logo acima dos óstios coronários e podem extender-se por toda a extensão da aorta. Os betabloqueadores limitam o estresse de cisalhamento aórtico e são componentes importantes de prevenção.

O tamanho da aorta proximal pode ser acompanhado sequencialmente por ecocardiograma traanstorácico, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Muitos cirurgiões recomendam a substituição profilática da raiz aórtica em pacientes com síndrome de Marfan quando o diâmetro aproxima-se de 5 cm para prevenir dissecção e insuficiência aórtica progressiva.

A dissecção da aorta é uma complicação lastimável em potencial da gravidez na síndrome de Marfan, ocorrendo mais comumente no período compreendido entre o terceiro trimestre e o primeiro mês pós-parto.

O risco de dissecção nessa situação está relacionado ao tamanho da raiz da aorta e parece ser baixo em pacientes com diâmetro da raiz de 4 cm ou menos. O tratamento pode incluirβ-bloqueadores profiláticos e bloqueadores dos receptores da angiotensina II, a fim de retardar a dilatação da aorta ascendente e cirurgia profilática da aorta. De importância, a terapia com betabloqueadores pode reduzir a ativação de TGF-β, que foi reconhecido como um fator contribuinte da síndrome de Marfan.

Os comprometimentos valvares progressivos também são comuns em pacientes com síndrome de Marfan. O risco de insuficiência aórtica grave aumenta a medida que o diâmetro da raiz da aorta se amplica.

O prolapso da valva mitral, é detectado em 60% a 80% dos pacientes por ecocardiografia. A evolução para regurgitação mitral grave ocorre em até 25% dos pacientes. Muitas destas manifestações são idade dependentes, como a dilatação da aorta; e outras são de difícil investigação, como a ectasia dural.

A síndrome de Marfan apresenta grande variabilidade fenotípica inter e intrafamilial, o que torna o diagnóstico difícil. Fazendo parte da variação fenotípica desta doença existe um quadro chamado de síndrome de Marfan neonatal cujo quadro clínico é considerado mais grave. Pode estar presente ao nascimento ou muito precocemente.

Aproximadamente 85% dos casos são esporádicos. É caracterizada por alterações cardíacas graves, contraturas congênitas, aracnodactilia, dolicocefalia, palato alto e arqueado, micrognatia, hipermobilidade articular, pés planos, deformidade anterior do tórax, iridodonese, megalocórnea e luxação do cristalino.

As mutações que levam ao quadro de SMN tendem a se concentrar em uma região central do gene FBN-1 codificada pelos éxons 24-32.

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