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Dependência de álcool, síndrome de

Segundo os pesquisadores em alcoolismo, dizer que um paciente é dependente de álcool significa dizer que beber deixou de ter uma função recreacional ou prazerosa e passou a ocupar um papel mais central na vida desse indivíduo.

O paciente deixa progressivamente de controlar quando e quanto vai beber e passa a direcionar suas atividades para obtenção e o consumo de bebida.

Os elementos constituintes da síndrome de dependência alcoólica são:

1) estreitamento do repertório – no início, o usuário bebe com flexibilidade de horários, de quantidade e até de tipo de bebida. Com o tempo, passa a beber com mais frequência, até consumir todos os dias, em quantidades crescentes, ampliando a frequência e deixando de importar-se com a inadequação das situações.

2) saliência do comportamento de busca do álcool – Com o estreitamento do repertório do beber, há uma tentativa do indivíduo de priorizar o ato de beber, mesmo em situações inaceitáveis (por exemplo, dirigindo veículos, no trabalho). Em outras palavras, o beber passa a ser o objetivo da vida do usuário, acima de qualquer outro valor, saúde, família e trabalho.

3) aumento da tolerância ao álcool – Com a evolução da síndrome, há necessidade de doses crescentes de álcool para obter o mesmo efeito conseguido com doses menores, ou a capacidade de realizar atividades apesar de altas concentrações sanguíneas de álcool.

4) sintomas repetidos de abstinência – Quando há diminuição ou interrupção do consumo de álcool, surgem sinais e sintomas de intensidade variável.

No início, eles são leves, intermitentes e pouco incapacitantes mas, nas fases mais severas da dependência, podem manifestar-se os sintomas mais significativos, como tremor intenso e alucinações.

O paciente bebe para aliviar sintomas de abstinência do beber, principalmente quando a pessoa bebe pela manhã para se sentir melhor.

Na dependência, o uso continuado de álcool é caracterizado por tolerância, sintomas de abstinência, compulsão, mudança de repertório em função do uso, entre outros critérios. No DSM-V, publicado em 2013, abuso e dependência deixaram de existir, tornando-se o transtorno do uso de álcool.

Esse diagnóstico passou a ser, assim, representado por uma perspectiva dimensional em que a diferenciação se faz pela gravidade do quadro, organizado em leve,moderado ou grave, de acordo com a quantidade de sintomas apresentados pelo paciente.

Apenas os diagnósticos de intoxicação e abstinência foram mantidos em separado, considerando-se que o abuso e a dependência seriam apenas um espectro de gravidade de um mesmo constructo diagnóstico.

Alguns questionários são usados nos serviços de atenção primária, como métodos de rastreamento para transtornos decorrentes do uso de álcool (uso nocivo e dependência do álcool). A dependência de álcool pode ser avaliada por meio do questionário CAGE.

O questionário CAGE (acrônimo referente às suas quatro perguntas- Cut down, Annoyed by criticism, Guilty e Eye-opener) é utilizado com um ponto de corte de duas respostas afirmativas sugerindo screening positivo para abuso ou dependência de álcool. Segundo a literatura, a sua sensibilidade varia de 43% a 100% e a especificidade, de 68% a 96%, dependendo do tipo de amostra estudada.

As quatro indagações do CAGE têm aplicabilidade factível, associada a bons resultados práticos aparentemente.

O teste de identificação de problemas relacionados ao uso de álcool, incluindo sua aplicação no setor de emergências clínicas.

O instrumento utilizado para a aferição do consumo de álcool pode ser o Audit (Alcohol Use Disorders Identification Test), um questionário com dez perguntas desenvolvidas pela OMS como instrumento de rastreamento específico para identificar pessoas com consumo nocivo do álcool, como também aquelas que apresentam dependência do álcool, nos últimos 12 meses. As três primeiras perguntas aferem a quantidade e frequência do uso regular ou ocasional do álcool; as três seguintes investigam os sintomas de dependência; e as quatro últimas se referem a problemas recentes na vida do indivíduo relacionados ao consumo de álcool.

O Audit apresenta as chamadas “zonas de risco”, de acordo com o intervalo de pontuação.

O padrão de beber de baixo risco, zona I, refere-se àqueles que pontuam de 0 a 7 e que podem se beneficiar com informações sobre consumo do álcool.

O padrão de médio risco, zona II, refere-se àqueles que pontuam de 8 a 15.

O padrão de alto risco ou uso nocivo, zona III, inclui os que pontuam entre 16 e 19. A chamada zona IV inclui os que obtiveram pontuação igual ou superior a 20.

Estes são prováveis portadores de síndrome de dependência do álcool e deveriam ser encaminhados a uma avaliação especializada para confirmação diagnóstica e possibilidade de tratamento específico.

O Audit da OMS, em adultos, testado e revalidado é de rápida aplicação. A aplicação do AUDIT tem como objetivo indicar a intervenção apropriada.

A investigação de dependência alcoólica deve ser complementada com exames complementares: dosagens de enzimas hepáticas como AST e ALT aumentadas, com relação AST/ALT > 2, gamaglutamiltranferase aumentada, volume corpuscular médio aumentaddo e transferrina carboidrato-deficiente aumentada.

São vários os transtornos neuropsiquiátricos relacionados ao consumo excessivo de álcool: alucionose alcoólica, transtornos amnésico-alcoólico, intoxicação alcoólica aguda e síndrome de Wernicke-Korsakoff.

O uso excessivo e crônico de álcool pode gerar diversas complicações clínicas gastrointestinais, cardiovasculares, endócrinas, metabólicas e miopatia. O tratamento da dependência do álcool é complicado e exige paciência dos profissionais envolvidos. Os objetivos do tratamento a longo prazo são a abstinência, a prevenção de recaídas, e a reabilitação.

Em algumas fases do tratamento tem-se necessidade de intervenção breve, internação ou internação domiciliar e de grupos de auto-ajuda (Alcoólicos anônimos).

Durante vários anos, as intervenções farmacológicas ficaram restritas ao tratamento da síndrome de abstinência do álcool (SAA) e ao uso de drogas aversivas (dissulfiram).

Nos últimos 10 anos, a naltrexona e o acamprosato foram propostos para o tratamento da síndrome de dependência do álcool como importantes intervenções adjuvantes ao tratamento psicossocial. Mais recentemente, o ondansetron e o topiramato surgiram como promissoras estratégias terapêuticas.

Em uma revisão de literatura, destacous-se que O antagonista opióide naltrexona diminui taxas de recaída, reduz dias de consumo e prolonga períodos de abstinência.

Acamprosato restaura a atividade normal dos sistemas glutamato e GABA. Dissulfiram tem demonstrado ser mais efetivo para pacientes que acreditam em sua eficácia e permaneçam aderentes ao tratamento.

Ondansetron tem-se mostrado promissor na dependência de álcool de início precoce, mas necessita estudos mais extensivos. Topiramato (até 300 mg/dia) foi mais eficaz do que placebo no tratamento da dependência de álcool.

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